quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A inovação nasce por conhecermos melhor os consumidores do que eles se conhecem a si próprios

Product , Price, Placement e Promotion são os quatro Ps do marketing. No entanto nos dias que correm há uma cada vez mais uma obsessão frenética com a promoção, a grande confusão sobre o local, e uma batalha agitada acerca do preço. No meio deste caos, o primeiro P é muitas vezes esquecido.

Quando falamos no desenvolvimento do produto, muitas vezes é feito num vácuo de investigação interna e desenvolvimento, ou como uma resposta reflexa e natural aos pedidos dos clientes. Não posso dizer que considero errado, dar as pessoas aquilo que elas querem, mas basicamente isso corresponde ao que a maioria faz, perdendo dessa forma o oportunidade de inovar.

Se perguntarmos as pessoas o que elas querem, elas provavelmente iram dar respostas com base no que conhecem e já viram. As pessoas sentem-se muito mais confortáveis a falar e a discutir aquilo que conhecem do que imaginar coisas novas. As pessoas podem apenas "querer" coisas que já viram ou que foram concebidas. Então, quando perguntamos aos consumidores o que eles querem, apenas vamos ter a ponta do iceberg.

A consola Nintendo Wii. Se a Nintendo tivesse perguntado aos seus clientes e jogadores o que eles queriam, acredito que nunca na vida teriam respondido: "Menor capacidade, nenhuma compatibilidade com versões anteriores e um tipo totalmente diferente de controlador." Provavelmente, todos eles teriam dito “ Maior capacidade de processador, maior espaço de armazenamento, melhores gráficos, etc…”

No entanto, esta consola tem um sucesso enorme. Se a Nintendo tivesse perguntado aos seus clientes o que eles queriam, aposto que nunca teriam desenvolvido a Wii, porque provavelmente tal ideia nunca lhes teria passado por a cabeça.

Para se inovar em termos de produto, temos literalmente que arregaçar as mangas e ir mais fundo do que isso. Temos que estudar como os consumidores se comportam e interagem com os seus produtos e as suas necessidades. Devemos reunir toda a informação para depois, fornecer todos esses inputs ao departamento de marketing que num ambiente criativo fazem a verdadeira inovação acontecer.

Tudo muito bonito, assim ate parece simples e fácil. Mas como se faz?
Aqui estão três técnicas que podemos utilizar para o fazer:

1. Pesquisar os altos e baixos. Invés de pedir aos consumidores o que eles querem, devemos perguntar-lhes sobre o que eles já têm. O que gostam nos produtos actuais? O que não gostam? Eles serão capazes de lhe dar informações muito mais úteis quando falam da sua experiência pessoal.

2. Ser uma mosca na parede. Agarre no livro de Jane Goodall e observe as pessoas e como usam os produtos na sua vida quotidiana. Tente ver tudo o que fazem e que se relaciona com a necessidade que o seu produto preenche. Existe uma historia engraça de uma campanha "Got Milk" que surgiu da observação de consumidores reais com (e sem) de leite nas suas casas.

3. Não olhe apenas para a planta, olhe para todo o ecossistema. Poucos são os produtos que existem no nada ou no vácuo. Dificilmente se vendem mesas sem se venderem cadeiras. Eu compro o óleo do motor, porque o motor da minha mota precisa dele para funcionar. Com a cada vez maior quantidade de produtos periféricos, surgem também novas oportunidades de desenvolver os nossos produtos.

A inovação nasce por conhecermos melhor os consumidores do que eles se conhecem a si próprios. Se conseguirmos fazer isso, vamos brinda-los com novos produtos e por sua vez seremos recompensados com a aceitação e venda dos nossos produtos.

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