quarta-feira, 17 de março de 2010

Como vão estar as empresas bem sucedidas daqui a dois anos? Será que alguém consegue responder?

Uma coisa é certa, conseguiram passar por esta recessão, que para além da honra e orgulho dos gestores, representa uma boa base para o futuro e para o sucesso. Se olharmos para as empresas actuais com sucesso, muitas delas já passaram por outras recessões. Geralmente estas alturas são óptimas para consolidar, focar e pensar no que realmente é importante.
Mas como serão estas empresas nos próximos anos?
Acredito que as empresas bem sucedidas nos próximos anos, terão que ser empresas cooperativas. As empresas que desenvolvam a cooperação entre funções, entre negócios, mesmo entre accionistas e parceiros, são aquelas que vão sem dúvida ganhar no longo prazo.
No entanto o desenvolvimento de relações cooperantes por si só, não chega. Uma das coisas que provavelmente iremos observar nos próximos anos, é um focus destas empresas nas networks. Nas alturas de recessão, as empresas geralmente tendem a pensar mais, questionam os seus produtos, tentam saber onde estão exactamente os seus clientes, e claro procuram respostas. É este tipo de comportamento e de atitudes, que de uma forma natural leva as empresas a formar networks. São estas networks, que com o tempo acabam por ligar as empresas a pessoas diferentes da grande maioria. Esta é uma das razões, porque durante as recessões as empresas são mais inovadoras. O cruzamento de novas ideias, experiências e competências resultam muitas vezes em inovação.
No futuro as empresas serão exímias na criação de networks valiosas.
Outra coisa em que acredito, é que no futuro tanto os colaboradores como os clientes serão atraídos para as empresas que sejam interessantes, que tenham aquilo que alguns chamam de “ignição”. Ou seja estou a falar de por exemplo de uma visão que seja apelativa e interessante, de uma cultura ou ideia que levem as pessoas a querem fazer parte delas.
Como levar electricidade a todas pessoas?
Como produzir um carro por 2.500 euros?
Não importa qual é realmente a pergunta. Mas no futuro as empresas bem sucedidas vão estar cá porque elas vão ter a capacidade de intrigar, entusiasmar e inspirar outros.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O empreendedorismo/ inovação estão na moda

Concordo plenamente com as vantagens do empreendedorismo e a inovação, concordo também que este deve ser o caminho a tomar no que respeita ao futuro deste país. O que não concordo é com os “senhores” deste país, quando tentam mostrar a todos nós, que tais vantagens são verdades absolutas. Na realidade não são. Há sem sombra de dúvida casos de sucesso, e esses chegam a todos nós muito facilmente, são falados constantemente nos vários meios de comunicação, são alvo de prémios por parte do ministério da economia e inovação, etc. Na realidade há inúmeros casos de fracasso, nas nossas micro e pequenas empresas. Esses quase ninguém fala. Na minha opinião, os fracassos não são culpa dos empreendedores, mas das entidades que os orientam e vendem uma imagem irreal do empreendedorismo. Se noutros países as coisas até funcionam, deve-se ao facto de a legislação ser diferente, a carga fiscal menor, (ex. Finlândia e a Nokia) e acima de tudo, uma visão mais clara sobre o que é o empreendedorismo.
Ser empreendedor em Portugal é um verdadeiro desafio. Criar uma empresa é SIMplex e até nem sai caro, mas mantê-la, é outra história. Isto porque quando se fala de empreendedorismo, fala-se de geralmente sob uma perspectiva ou abordagem prática em detrimento da abordagem teórica. Esta visão do empreendedorismo é superficial, e passa muitas vezes a ideia de que não é preciso saber de gestão para se ser empreendedor. O resultado? Pode ser desastroso.
Um exercício interessante seria pesquisar as razões e quantificar as micro e pequenas empresas criadas em Portugal que fecham após um ano de vida. Acredito que muitas das pessoas/ empreendedores que se dirigem ao IEFP, com projectos para abrir o seu próprio negócio e criar assim o seu próprio emprego, recebe umas massas e vai à luta sem estar minimamente preparada para isso. Provavelmente a maioria deve ter dificuldades em analisar mercados, definir objectivos, estratégias, e acções. O planeamento estratégico passa a ser desnecessário e provavelmente não será posto em prática.
Fomentar o espírito empreendedor e a inovação sim, mas não desta forma.