quarta-feira, 12 de maio de 2010

Inovar também é descobrir

Estará a inovação condenada, com a crise? Ou será que esta é a altura de lançar algumas sementes à terra, pensando num retorno e crescimento a médio ou longo prazo?
Este é o tipo de perguntas que ultimamente, tenho escutado com alguma frequência. Pessoalmente acredito que a crise é, ou pode ser, potenciadora de inovação.
Para quem conhece um pouco a cultura chinesa, sabe que este povo tem um caracter que representa a crise. O que muitos não sabem, é que quando partido ao meio, ele transforma-se em dois novos caracteres. Um representa perigo e o outro representa oportunidade, neste caso, apenas para aqueles que vêem a possibilidade de inovar e tirar partido da crise.
Vamos retroceder uns anos. Devido à arrogância ou à incompetência de muitas empresas, quantos de nós teve muitas vezes de lidar com alguma frustração e compromisso, porque basicamente “levávamos com aquilo que as empresas nos queriam atirar”? Mas na realidade, quantos de nós tinha tempo ou paciência para ver e perceber o que se passava? Por exemplo, quem via e analisava o extrato da conta de telemóvel? Provavelmente poucos.
Acredito que hoje, para além do tempo, temos acima de tudo a necessidade de perceber o que se está a passar. Isso permite-nos identificar muito bem as nossas necessidades, o que nos torna automaticamente mais intransigentes. De uma forma natural, esta mudança de comportamento dá origem a uma procura por alguém que no mercado consiga identificar as causas da nossa frustração e que destape as nossas necessidades reais.
O princípio que quero salientar, não é o princípio de inovação relacionado com a invenção de algo que nunca tenha existido. Estou a falar da inovação no sentido de descoberta, ou seja, descobrir necessidades que estão ou foram suprimidas. Essas necessidades suprimidas são como tesouros enterrados na areia e podem representar verdadeiras oportunidades aos que os descobrirem.
Ninguém sabe quando esta crise irá terminar, e também ninguém sabe como será depois da crise. Mas uma coisa podemos dizer, aqueles que conseguirem articular e diminuir as frustrações daqueles que as necessidades não foram preenchidas, vão ser aqueles que serão capazes de inovar e deixar os outros para trás.

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